Conectando Caminhos promove diálogo sobre diversidade e inclusão laboral de migrantes e refugiados no RS

Evento realizado em Lajeado (RS) reuniu empresas, organizações e trabalhadores para discutir contratação, acolhimento e desenvolvimento profissional

 

Como transformar a contratação de pessoas migrantes e refugiadas em oportunidades reais de desenvolvimento profissional? Essa foi uma das questões centrais do evento “Diversidade, ESG e oportunidades na contratação de migrantes e refugiados”, realizado no âmbito do projeto Conectando Caminhos, em 20 de agosto, em Lajeado (RS). A atividade reuniu gestores, profissionais de Recursos Humanos, organizações e trabalhadores migrantes para discutir os desafios e as oportunidades de inclusão no mercado de trabalho. 

 

Promovido pelo SJMR São Leopoldo, com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Universidade do Vale do Taquari (Univates), o encontro teve como foco aproximar o setor privado das discussões sobre inclusão de pessoas migrantes e refugiadas no mercado de trabalho, criando um espaço de diálogo entre empresas, profissionais de Recursos Humanos, organizações e trabalhadores. 

 

A programação contou com a participação da professora doutora Fernanda Cristina Wiebusch Sindelar, da Univates, que abordou os impactos da agenda ESG nas organizações, e de Giuli Germano Kovalski, do SESI-RS, que falou sobre lideranças acolhedoras e ambientes de trabalho inclusivos. Já Gisele dos Santos Netto, do ACNUR, apresentou a Rede de Empregabilidade e o HUB RS do Fórum Empresas com Refugiados, destacando possibilidades de articulação entre empresas e organizações.

 

O SJMR também apresentou sua atuação na intermediação de oportunidades de trabalho, que envolve a identificação de perfis profissionais, encaminhamento de trabalhadores e aproximação com empresas.

 

Da contratação ao desenvolvimento profissional

 

Um dos momentos de destaque do encontro foi a participação de trabalhadores migrantes, que compartilharam experiências de inserção e desenvolvimento profissional no Brasil.

 

Edwige Cetoute, haitiana e balconista de farmácia na Farmácia São João, contou sobre sua trajetória na empresa, onde trabalha há três anos e, atualmente, também cursa Farmácia. Ao compartilhar sua experiência, destacou a importância do treinamento oferecido pela empresa e de ambientes capazes de acolher e apoiar novos trabalhadores.

 

A trajetória de Madoche Milliard mostrou, por outro lado, como uma oportunidade de trabalho pode abrir diferentes caminhos ao longo da vida profissional. Professor no Haiti, ele iniciou sua trajetória no Brasil na área de produção da Companhia de Alimentos Minuano. Depois de mais de oito anos na empresa, passou a atuar na área de Recursos Humanos como intérprete.

 

A experiência de Madoche reforçou uma das principais reflexões do encontro: a contratação de uma pessoa migrante pode ser também o início de uma trajetória de desenvolvimento dentro da organização. Competências adquiridas antes e depois da migração, experiências profissionais e novos conhecimentos podem ser reconhecidos e contribuir para o crescimento dentro das organizações. 

Para Isadora Konzen, ponto focal de Meios de Vida do SJMR São Leopoldo, o encontro também representa uma mudança importante na atuação da organização no Vale do Taquari.

 

“Realizar este evento no Vale do Taquari tem um significado muito especial para o SJMR. Nossa atuação na região ganhou força inicialmente em um contexto de resposta às enchentes, com ações voltadas às necessidades emergenciais da população migrante e refugiada. Agora, avançamos para uma nova etapa, voltada à integração socioeconômica e à construção de caminhos mais duradouros.”

 

Segundo Isadora, a aproximação entre empresas e trabalhadores migrantes pode contribuir tanto para responder às demandas do setor produtivo quanto para ampliar as possibilidades de reconstrução das trajetórias profissionais dessas pessoas.

 

O encontro reforçou, assim, que a inclusão no mercado de trabalho vai além da abertura de uma vaga. Criar ambientes acolhedores, reconhecer competências e oferecer possibilidades de desenvolvimento são passos fundamentais para que a diversidade se transforme, de fato, em integração.

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