Trabalhadores Humanitários: Vozes que inspiram

Em homenagem ao Dia Mundial Humanitário, celebrado no dia 19 de agosto, o SJMR compartilha uma reportagem sobre a importância do trabalho humanitário no mundo, apresentando as vitórias e dificuldades desta área, através de depoimentos dos colaboradores do Serviço. 

A data foi criada, em 2008, em memória dos trabalhadores humanitários vítimas de um atentado à sede da ONU, no Iraque, em 2003, e visa celebrar o trabalho de todos os voluntários do mundo, divulgando as obras realizadas pelas organizações humanitárias espalhadas pelo globo.

A ajuda humanitária abrange ações de trabalho humanitário que visam minimizar as consequências de desastres naturais, emergências sanitárias e conflitos violentos, sendo realizado por diversos agente como Organizações Não Governamentais (ONGs), empresas multinacionais, governos e civis.

“O trabalho humanitário para mim é muito desafiador pois demanda uma atenção integral à pessoa. É preciso levar em consideração os aspectos sociais, culturais, linguísticos, assim como, a condição migratória que a pessoa se encontra.” comenta Juliana Camelo, Analista Social do SJMR Sul.

Considerando que os movimentos migratórios estão em constante crescimento, devido a busca por uma vida mais digna e a proteção dos direitos humanitários, diversas organizações da sociedade civil, dentre elas, a Igreja, tem viabilizado iniciativas para auxiliar na integração e no acolhimento de migrantes no Brasil.  

“Costumo dizer que o trabalho humanitário mudou minha vida, é um sentimento muito gratificante de servi ao outro, você se torna mais humana, compreensiva e empática para que seu trabalho seja feito com êxito, assim levando a esperança na vida de pessoas que estão desacreditadas. O que nós da leveza para continuar a vida nesse mundo que todos precisam dá as mãos.” Comenta Mikely da Silva Tapudima, Analista Social do SJMR Manaus. 

O Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), presente em 50 países, tem beneficiado milhares de pessoas com a prestação de serviços gratuitos, intervenções emergenciais, proteção, projetos de educação, integração, apoio psicossocial e pastoral.  

“Me chamo Anderson Fagundes, sou assistente social e no SJMR Brasil tive meu primeiro contato com a área humanitária. Aos poucos fui descobrindo que temos o compromisso de reconhecer no outro a sua dor, mas, sobretudo, as suas vivências, resistências, esperanças e forças para alcançar melhores condições de vida, com o apoio das diversas organizações que somam forças em prol da causa da migração e refúgio. O trabalho humanitário também significa olhar para além do aparente, além da emergência das situações que nos chegam. Significa captar e compreender a essência dos fenômenos sociais, bem como suas dimensões políticas e econômicas, que impactam diretamente na vida da população refugiada e migrante. Assim, neste dia alusivo ao trabalho humanitário, precisamos reforçar a importância mantermos o nosso trabalho e o delineamento das nossas ações, em uma perspectiva de direito social e de cidadania e, cotidianamente, reiterar e dar sentido à nossa missão institucional de atuar em favor de um maior acolhimento e hospitalidade da sociedade brasileira a migrantes e refugiadas(os), promovendo e protegendo sua dignidade e direitos e acompanhando seu processo de inclusão e autonomia.” afirma Anderson da Silva Fagundes, Analista Social de Proteção do SJMR Sul.  

A instituição atua em busca de um maior acolhimento e hospitalidade da sociedade brasileira aos migrantes e refugiados, promovendo o acesso aos direitos básicos e acompanhando o processo de inclusão e autonomia, através do reconhecimento da riqueza da diversidade humana.  

“O trabalho humanitário é desafiador, mas, sobretudo, gratificante. Quando iniciei há pouco mais de um ano como trabalhadora humanitária pude ter distintas experiências e aprendi que a escuta é imprescindível, torna-se um ato de cuidado, acolhimento. Meu trabalho é em prol da proteção e garantia direitos de pessoas que foram forçadas a se deslocarem, me sinto privilegiada por fazer parte desse trabalho” comenta Rosiane  Trabuco, Analista Social do SJMR Brasil na Bahia.  

Como conta no relato abaixo, para Flávia Maria Souza dos Reis, Coordenadora de Projetos do SJMR Boa Vista, ingressar no trabalho humanitário foi uma experiência emocionante e muito enriquecedora, a qual a fez mudar sua percepção sobre o mundo.

“Aos 29 anos, advogada e trabalhando em uma organização pública, me vi fazendo uma reflexão sobre como meu trabalho poderia ter um significado maior. Era uma inquietação sobre como muitas vezes seguimos um fluxo mecanizado na vida. Fazendo essa análise e levando em consideração o intenso fluxo migratório no estado de Roraima, cidade que vivo atualmente, tive a oportunidade de ingressar no mundo humanitário como Assessora Jurídica em 2019, no Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados. Era uma realidade completamente diferente do que eu já havia trabalhado, mas algo me impulsionava naquele início: como aplicar o conhecimento que eu tinha na defesa e garantia de direitos das pessoas em situação de deslocamento forçado. No dia a dia do trabalho fui conhecendo pessoas, histórias de vida e toda a bagagem que migrantes e refugiados trazem em busca do recomeço e, como consequência, descobrindo um novo mundo. Apesar das dificuldades presentes, o trabalho humanitário nos possibilita enxergar mais adiante, nesse contato mais próximo com as pessoas, conseguimos ver para além da necessidade, mas também os sonhos, as possibilidades, a vontade e a resiliência que cada um carrega. E isso nos transforma. Me sinto muito feliz e realizada em ter encontrado no trabalho humanitário o “algo mais”, a sensação de ‘posso fazer um pouquinho mais, posso acolher e, principalmente, posso escutar e fazê-los serem ouvidos. ”

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