O SJMR Brasil completou dois meses de atendimentos na Paróquia Cristo Redentor, em São Sebastião/DF, região administrativa do Distrito Federal. Durante esse período inicial, mais de 30 pessoas, provenientes da Venezuela e Guiana, já foram atendidas para regularização documental e/ou orientação trabalhista.


Desde o início, o escritório nacional estabeleceu parcerias fundamentais com a Universidade de Brasília (UnB) e o Centro Universitário de Brasília (CEUB), este por meio do Projeto de Extensão Balcão do Refugiado. Os atendimentos abarcam a elaboração de currículos e carteiras de trabalho, orientações para entrevistas de emprego, encaminhamentos para vagas de emprego, solicitação e renovação de refúgio, além de orientações jurídicas gerais.


“Acredito que para os alunos é um diferencial na formação deles, esse contato direto, com uma população que está numa situação de vulnerabilidade, com quem eles podem exercitar também esse olhar com o outro”, destacou Raquel Marinucci, professora de Relações Internacionais do CEUB. Da mesma forma, a professora Susana Viegas, coordenadora do curso de Direito da UnB, ressaltou. “Além do conhecimento jurídico que eles estão adquirindo na área de direitos humanos, a oportunidade de lidar com pessoas migrantes e refugiadas tem sido uma experiência inédita”, afirmou.


Anaila Silva, aluna do CEUB, expressou sua gratidão pela oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas atendidas: “O atendimento em São Sebastião me fez perceber que a gente pode fazer a diferença na vida de alguém com coisas que a gente considera rotineiras, mas para alguém que vem de outro país, que tem que se adaptar a uma nova cultura, muitas vezes sem falar a língua, não é tão simples. Eu fico ansiosa para a próxima quinta, poder conhecer uma nova pessoa, uma nova cultura, uma nova história e saber que eu posso ajudar, da minha forma”, concluiu.


Rodrigo Monteiro, graduando em direito pela UNB, refletiu sobre os desafios enfrentados. “Lidar com um sistema novo, com documentações que a gente não estava habituado, mas isso tem uma curva de aprendizagem, que vamos superando dia a dia. A gente está ali materializando o conceito de direitos humanos, porque cada indivíduo no seu país de origem ou fora, ele merece dignidade e respeito”. Para Giovana Alencar, também aluna de direito da UnB, a experiência tem sido transformadora e delicada, mas as capacitações que receberam têm sido fundamentais para atender as demandas dos migrantes que nos procuram.


Segundo o coordenador do escritório do SJMR em Brasília, Rafael Melo, foram oferecidos seis treinamentos, desde o contexto migratório, incluindo os atendimentos de documentação e meios de vida, e também sobre Proteção da exploração e do abuso sexual (PSEA). Alguns destes ministrados por outros parceiros como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

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