Voluntariado que transforma: Fernando Arnal compartilha sua experiência de dois anos no SJMR Brasil

Home / Belo Horizonte / Voluntariado que transforma: Fernando Arnal compartilha sua experiência de dois anos no SJMR Brasil

Desde 2001, ano Global do Voluntariado, determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a prática do voluntariado tem crescido e sido reconhecida cada vez mais. Essa atividade é tão importante que existe uma data no ano exclusiva para comemorá-la. Desde o ano de 1985, no dia 5 de dezembro é comemorado o Dia Internacional do Voluntário para que ele seja valorizado e incentivado. No SJMR Brasil, muitos dos serviços prestados são realizados com o apoio de voluntários, como é o caso do Fernando Arnal Calvo, voluntário da ONG Entreculturas da Espanha, que veio para o Brasil integrar a equipe do SJMR Boa Vista a princípio.

Em dezembro de 2019, quando chegou no Brasil, o espanhol Fernando Arnal Calvo se tornou um reforço importante na equipe do SJMR Boa Vista (RR). Voluntário do VOLPA, programa internacional de voluntariado da ONG Entreculturas, Fernando acompanhou diversas ações e intervenções de proteção social para migrantes venezuelanos em situação de vulnerabilidade, durante este momento de pandemia. Ele é psicólogo por formação e já havia trabalhado por um ano, na Cruz Vermelha da Espanha, com migrantes africanos.

No SJMR, Fernando atuou como voluntário por dois anos – tempo máximo permitido pelo VOLPA – e teve que se despedir da organização no final do mês de setembro. Ele teve passagem por quatro dos cinco escritórios no Brasil sendo eles: Boa Vista (RR), Manaus (AM), Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG).

Segundo o voluntário, apesar do SJMR ser uma rede nova e estar em constante construção, as dificuldades são sempre superadas com a reinvenção da prestação de serviços. “A experiência foi muito intensa, em um sentido positivo. Minha experiência tanto com a organização quanto com as pessoas que fazem parte dela sempre foram muito enriquecedoras, com proximidade e compartilhamento de momentos e aprendizados”, comenta. Fernando, quando se cadastrou no Programa VOLPA, buscava compartilhar experiências com realidades diferentes e no Brasil ele teve a oportunidade de conviver entre pessoas migrantes e refugiadas que estavam em uma situação muito vulnerável.

Para ele, foi muito enriquecedor ter contato com histórias tão diferentes, mas que se uniram em um propósito comum. “Pude conhecer quase todos os escritórios do Brasil e foi muito interessante ver as diferenças entre eles, consegui aprender muito e ter uma experiência mais completa. Esse tempo que passei no SJMR tocou meu coração. Espero que chegue mais pessoas com esse objetivo geral de ajudar ao próximo”, relata.

Voluntário na ação humanitária

Vivemos numa sociedade diversa e ainda marcada por profundas desigualdades. O voluntariado possibilita que os envolvidos transformem sua leitura do mundo. Segundo a ONU, mais de 1 bilhão de pessoas se engajam em ações voluntárias em todo o mundo, demonstrando que cada vez mais organizações se voltam para essa área de ação. “O voluntariado é fundamental em qualquer tipo de instituição, mas, especialmente nesse tipo de organização como o SJMR, que trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade. Nós, voluntários, somos pessoas que dedicamos nosso tempo para apoiar os migrantes e refugiados e temos a vontade de ajudar a promover a autonomia dessas pessoas”, afirma Fernando.

Para Fernando, em sua experiência de dois anos, os voluntários de organizações humanitárias precisam ser muito delicados em como se posicionam com as pessoas, no tratamento dirigido á elas e na preparação prévia, tanto profissional como emocional e pessoal. Além disso, trabalhar com o voluntariado envolve os desafios de trabalhar com poucos recursos e o desenvolvimento da criatividade.

“Para viver uma experiência tão forte e tão diferente da nossa realidade, o importante é que entreguemos uma parte de nossa vida, ver o que podemos acrescentar na organização e estar aberto a ter uma vivência ampla. Temos contato com muitas pessoas e muitas histórias e estamos em um ambiente complexo, então não podemos fazer julgamentos e sim, acolher essas pessoas e respeitar suas cargas emocionais. O papel do voluntariado é essencial para dar mãos e ajudar a implementar os projetos de ajuda humanitária e, diante disso, é imprescindível ter uma estrutura onde os voluntários se sintam bem-vindos e motivados a continuar com as atividades”, destaca.

Um dos grandes êxitos do voluntariado é a sua capacidade de transformação do desenvolvimento pessoal. Além disso, o voluntariado, quando realizado com qualidade, transforma quem dele participa num cidadão mais consciente das diversidades, limitações e necessidades da sua sociedade. De acordo com Fernando, o seu objetivo na experiência do voluntariado foi passar por uma transformação individual através das vivências de uma realidade completamente diferente da sua.

Segundo ele, sua vinda para o Brasil nunca teve um propósito profissional, apesar de fazer parte da experiência ter contato com diferentes áreas de trabalho, passar por elas e colaborar de algum jeito. “Também a nível profissional eu acredito que foi muito bom conhecer os processos migratórios que nós estamos envolvidos como rede, como o serviço de um escritório complementa o outro e assim o migrante em mobilidade consegue um apoio completo na sua interiorização no Brasil”, comenta.

Contudo, para Fernando foi muito mais importante ver como esse trabalho atinge as pessoas e faz a organização se movimentar. “A nível pessoal eu poderia falar horas sobre a minha transformação. Eu acredito que sou uma melhor pessoa depois dessa experiência. Entendo as dificuldades dessa população, vivenciei situações críticas, crises familiares, angústia e sofrimento e é impossível não se deixar tocar por isso”, relata.

“Eu tenho uma sensação de que o que fazemos faz sentido, transforma vidas e ajuda que os migrantes e refugiados possam ter uma vida mais digna e autônoma. Me deu outra perspectiva de vida estar próximo de pessoas marginalizadas pela sociedade e reconhecer a força e a importância delas. Eu aprendi a apreciar e a valorizar melhor meus privilégios, em um sentido de entender esses privilégios com responsabilidade e lutar para que todos tenham a oportunidade de ter acesso a eles”, finaliza Fernando.

*Por Vívian Mota

Deixe um Comentário