Vidas refugiadas sob o olhar da fotografia

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Os fotógrafos Victor Moryama, correspondente do NY Times no Brasil, Claudio Edinger e o espanhol Sergi Camara, terão seus trabalhos exibidos no Festival Tantos Somos, Somos Um

A narrativa de vidas em deslocamento forçado ou em situação de refúgio, não está invisível ao mundo da arte. Nas lentes dos fotógrafos Victor Moriyama e Sergi Camara, as histórias de migrantes e refugiados que vivem no Brasil ganharam protagonismo no registro fotográfico dos artistas, que têm presenças confirmadas para o Festival “TANTOS SOMOS, SOMOS UM – Pelos sonhos de todas as pessoas”, que será transmitido neste sábado (20), às 17h, Dia Mundial do Refugiado, pelo Facebook e Youtube do SJMR Brasil.

Victor Moryama é um dos principais fotojornalistas brasileiros e colabora com os mais importantes jornais do mundo, entre eles o NY Times, The Guardian, Le Monde e El País. Descendente de imigrantes, o fotógrafo acredita que a arte exerce um papel democrático e nos possibilita observar a realidade por outros ângulos. “A arte tem o caráter revolucionário, transformador. Na sua essência, exerce o poder questionador. Desloca nosso olhar do que estamos acostumados a ver e nos apresenta novos ângulos para observarmos a realidade de outra forma. Assim, é possível questionar a vida, a democracia, a sociedade”, ressalta.

Sobre a realidade das pessoas em deslocamento forçado e em situação de refúgio, Moryama destaca que “somos todos refugiados. Meus avós vieram da Alemanha e do Japão e ajudaram a constituir esse país, que foi formatado a partir do refúgio. O Brasil carrega esse caráter mestiço, mas não podemos deixar de lembrar o genocídio das populações negras e indígenas, que acontece até hoje. Temos os refugiados internos, pessoas em situações complicadas, como os povos indígenas que ainda precisam se deslocar para que não sejam exterminados. Portanto, a arte tem esse papel transformador. Sensibilizar por meio de uma nova perspectiva, de uma nova história e da dor do outro. Talvez, nos permitindo ter esse outro olhar, possamos contribuir para uma sociedade mais justa e tolerante”, diz.

O fotógrafo documental Sergi Camara, que vive em Barcelona (Espanha) também terá alguns dos seus registros exibidos no Festival “Tantos Somos, Somos Um”. O espanhol esteve no Brasil, em dezembro do ano passado e registrou as ações de acolhimento e interiorização de venezuelanos realizada pelo SJMR em Minas Gerais, São Paulo e Roraima. “Sou parceiro do SJMR e estive registrando as histórias de famílias venezuelanas nas casas de acolhida da organização pelo país. O que me impressionou foi a força e esperança, sobretudo das mulheres. Essas pessoas deixaram suas histórias e famílias e, apesar dos desafios para recomeçar a vida em outro país, não perderam a garra e acreditam que é possível”, relatou.

O fotógrafo brasileiro Claudio Edinger é outra presença confirmada no festival “Tantos Somos, Somos Um”. Sobre as celebrações do Dia Mundial do Refugiado, ele ressalta que “estamos todos conectados. Somos excelentes, todos nós, da nossa maneira, com nossas particularidades. Somos também complementares. E precisamos muito uns dos outros. Espiritualidade é entender isso. Dentro de cada de nós pulsa o universo e a arte é o reflexo da energia mais profunda do mundo, captada pelos artistas”, completou.

O Festival “Tantos Somos, Somos Um” também reunirá diversas atrações artísticas de várias nacionalidades. O evento será apresentado pelo ator Eduardo Mossri, que interpretou o médico sírio Faruq na novela “Órfãos da Terra”, da Rede Globo e contará com a participações das atrizes Eli Ferreira e Ana Cecília Costa, que também fizeram parte do elenco.

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