Projeto Moro no Brasil promove dinâmica de autoconhecimento para mulheres migrantes em ocupação em Boa Vista

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Com objetivo de facilitar o acesso à informações sobre os direitos das pessoas migrantes e refugiadas, o projeto Moro no Brasil, iniciativa do SJMR Boa Vista desenvolvida em parceria com o ACNUR, realizou, no mês de junho, ações junto à população venezuelana que reside em comunidades e ocupações de Boa Vista, capital de Roraima. 

A primeira atividade ocorreu em 23 de junho na Ocupação Aprisco e contou com a presença de 11 mulheres migrantes venezuelanas. As participantes integraram uma dinâmica de autoconhecimento, na qual foram convidadas a identificar suas emoções tanto positivas quanto negativas. No exercício, foram levantados sentimentos como tristeza, medo, raiva, alegria, asco, surpresa, paixão e ansiedade. 

Cada participante sustentou uma dessas sensações no próprio corpo, e a dinâmica consistia em dramatizar tais emoções, enquanto elas andavam pelo espaço. Em seguida, as mulheres discutiram maneiras de lidar com emoções negativas. O objetivo foi provocar interações entre as participantes, o desenvolvimento psicossocial e a resiliência.

De acordo com Alexandra Azocal, migrante venezuelana, a atividade foi importante para perceber que cada pessoa reage de formas diferentes de acordo com seu estado de espírito. Alexandra deu como exemplo sua própria vivência: enquanto ela gosta de cantar quando está triste, sua vizinha prefere ficar em silêncio. “Assim aprendemos a respeitar as nossas emoções e as dos outros”, elabora.

Coordenaram o evento a assessora jurídica do SJMR Boa Vista, Bruna Klein, a psicóloga voluntária Halaíne e a promotora comunitária Indria.

Palestra sobre direitos

No dia 24 de junho, foi a vez da comunidade Terra Prometida receber o projeto Moro no Brasil. Na ocasião, ocorreu um encontro no qual foram compartilhadas informações sobre Direito do Trabalho e de Direito de Família. Ao todo, participaram da ação 13 migrantes e refugiados venezuelanos.

Inicialmente, os participantes acompanharam uma conversa sobre o Direito da Família, na qual foi explicado o funcionamento no Brasil de questões como casamento, união estável e pensão alimentícia. Além disso, foram fornecidas informações sobre acesso aos serviços jurídicos e aos cartorários disponíveis no país.

Em seguida, as pessoas foram convidadas a participar de um jogo sobre Direito do Trabalho, que consistia na apresentação de afirmações às quais os migrantes deveriam apontar se tratava-se de verdadeira ou falsa. A partir disso, houve a explicação de cada uma das afirmativas, e os participantes também puderam tirar dúvidas.

De acordo com Bruna Klein, assessora jurídica responsável pela atividade, os temas foram sugeridos pela própria comunidade, que possuía muitas dúvidas, não apenas sobre seus direitos, mas também acerca dos procedimentos que necessitavam realizar para terem acesso aos serviços no Brasil. “Como há muitas diferenças entre a legislação brasileira e venezuelana, bem como tendo em vista que cada país possui procedimentos e burocracias distintas, a atividade foi importante para a comunidade poder vencer essas barreiras, acessar esses direitos e se manifestar nos casos em que seja impedida”, afirma.

Além dela, coordenaram o evento a psicóloga voluntária Halaíne e a promotora comunitária Ana Maria.

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