Colaboradora do SJMR BH é eleita para Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial

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A colaboradora do SJMR Belo Horizonte, Yolis Lion, migrante venezuelana da etnia warao, foi eleita para compor a 5ª gestão no COMPIR/BH, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. O deliberação doi publicada no dia 22 de janeiro, no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte, Minas Gerais e representa uma vitória muito comemorada por indígenas de Belo Horizonte e região, que que se cumpre a necessidade de representação indígenas de forma oficial no Conselho Municipal.

Criado em 2010, através da Lei Municipal 9.934, o COMPIR/BH é um órgão que estimula a participação da sociedade civil nas políticas públicas para combater o racismo, xenofobia, discriminação e desigualdades socioeconômicas, políticas e culturais. Em 2021 pela primeira vez, duas mulheres indígenas foram eleitas no segmento. Como representantes de outros grupos étnicos e indígenas foram eleitas como conselheiras: Darupū’ūnaTikuna, como titular e Yolis Lion, como suplente.

A líder comunitária Yolis, 37, é da etnia Warao, nascida na Venezuela na comunidade do Barranco de Fajardo. Mãe de três filhos, é artesã, graduada em Comunicação Social e Analista Social do SJMR BH, onde acompanha migrantes e refugiados de diversos países como Nigéria, China, Colômbia, Bolívia, Peru, Cuba,Haiti, Venezuela e República Democrática do Congo. Em Minas Gerais o povo Warao é composto de pelo menos 150 migrantes, incluindo crianças já nascidos em território brasileiro. A candidatura de Yolis nasceu da necessidade das diferentes etnias da RMBH de ter uma representatividade onde se possa levar as necessidades e realidades vividas, seja a âmbito municipal ou até mesmo internacional.

Pelo seu trabalho no SJMR BH, Yolis pode perceber que as dificuldades enfrentadas por essa parcela da população são várias, como falha de acesso às políticas públicas, benefícios e serviços básicos, não reconhecimento de documentos, racismo, xenofobia, violências contra trabalhadores e mulheres e negação de oportunidades no mercado de trabalho e instituições de ensino. “A luta é também pela concretização do Centro de Referência Indígena em Belo Horizonte, um espaço para as reivindicações de direitos, promoção artístico-cultural e segurança à integridade”, declara.

As propostas promovidas por Yolis giram em torno do respeito mútuo à diversidade dos povos indígenas: respeito à cultura, à língua materna de cada povo, aos trajes típicos, à cosmologia, às crenças religiosas e promoção de seus saberes e artesanatos. “Estamos aqui para somar para um melhor mundo e um melhor futuro para as gerações futuras”, afirma a warao.

Confira um poema de Yolis Lion, em comemoração a essa conquista inédita e muito importante para a população originária de Belo Horizonte e região.


“A mãe terra não é apenas o único planeta
Onde podemos morar é também nosso lar onde habitar.
O presente de Deus
Nosso universo central
Que temos negligenciado
E de acordo com o tempo destruído
Com guerras e divisão
A mãe terra nos presenteou com plantas e animais que negligenciamos
Esquecendo que precisamos de essas plantas e animais para subsistir
A mãe terra nos fornece também ar, água,sol e chuva que perdemos
Precisamos conscientização e união
de cada um e trabalhemos juntos
Para cuidar dela também
precisamos de harmonia
Para respirar o ar
Olhar o sol contemplar a chuva
E sentir o fogo aquecendo nossos corações.
Sem a mãe terra não tem sentido
A vida porque não existiria raça nenhuma
Que viva a mãe terra que vivam os povos originários que são guerreiros e guerreiras que protegem nossa mãe.”

Yolis Lyon

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