Projeto do SJMR viabiliza o acolhimento de migrantes durante as festividades de Natal

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No mês de dezembro, o SJMR-BH implementou o piloto do Projeto “Coração do Mundo”, que viabilizou o acolhimento de migrantes por famílias mineiras, durante as celebrações natalinas.

A iniciativa surgiu após duas ligações telefônicas, realizadas por Marineide Borges e Márcia Gerra ao escritório do Serviço. “Ambas entraram em contato em datas muito próximas e, mesmo não se conhecendo, relataram o desejo semelhante de convidar migrantes, distantes de suas pátrias e separados de seus entes queridos, para participar de suas ceias de Natal. “, relata Vinicius Rocha, coordenador de comunicação do SJMR de Belo Horizonte.

Segundo Marineide, a ideia surgiu a partir de diversas reportagens sobre a situação na Venezuela e a chegada dos migrantes venezuelanos no Brasil. “Imaginamos que muitas famílias poderiam estar distantes de sua casas e que poderíamos oferecer um pouco de amor e generosidade”, relata.

Para Márcia, a iniciativa decorreu do desejo de expandir o seu próprio conceito de família e de compartilhar diferentes experiências. “Foi uma extensão de movimentos que eu e minha filha fizemos, no últimos anos, para acolher outras pessoas no nosso Natal e, também, um reflexo do profundo sentimento de solidariedade à questão migratória, nos dias atuais”, justifica.

Após uma reunião inicial com os familiares, para moldar o projeto, a equipe do SJMR mobilizou o setor de Serviço Social, que indicou migrantes atendidos pelo escritório que, potencialmente, atendessem o perfil. “Com base nos atendimentos realizados nos últimos três meses e no perfil socioeconômico, a reflexão que fizemos, enquanto possibilidade de participação, foi a de pessoas que, antes de tudo, estivessem dispostas a trocar vivências, que sempre demonstraram muito afeto para com outros, sentiam saudade e desejo de estar com suas próprias famílias, mas conseguiam perceber que, por inúmeros motivos, isso não era possível”, relata a assistente social Priscilla Marinho.

O Encontro

Em um segundo momento, foi marcado um encontro das famílias com os migrantes Osvaldo Torres e o casal Cristina Requenha e Pedro Salaza, que aceitaram o convite, para que pudessem se conhecer melhor e iniciar os preparativos conjuntos para a ceia. “Após um momento de apresentações e de uma conversa descontraída, ficou combinado que Cristina e Pedro passariam o Natal com a família da Márcia e Osvaldo passaria com a família da Marineide”, explica Vinicius.

Para Cristina, que, em 2017, passou o primeiro Natal no país com o marido, em quarto alugado na cidade de Belém do Pará, o convite foi motivo de muita felicidade. “Meu coração se alegrou. A oportunidade de compartilharmos e nos sentirmos integrados foi uma grande motivação”, relata.

A empatia mútua já surgiu no primeiro encontro e rendeu até mesmo um passeio extra ao Mercado Central, na semana que antecedeu o Natal. “Foi enriquecedor e surpreendente, pelas coincidências envolvidas. Famílias e convidados compartilharam de uma afinidade à primeira vista”, conta Marineide.

A Ceia

Na tarde do dia 24 de dezembro, os convidados foram recebidos nas casas de ambas as famílias e puderam participar dos preparativos. “O encontro foi muito tranquilo. Em um primeiro momento, a sensação foi de leve apreensão, mas assim que começamos a nos preparar para a ceia, tentando envolver ao máximo o nosso convidado Osvaldo, a apreensão deu lugar à alegria de tê-lo conosco e, também, a um sentimento de gratidão, pela aceitação do convite”, relembra Marineide.

Para Osvaldo, a oportunidade de participar deste momento foi algo especial. “Gostei muito. No início, estava receoso, mas logo fui tomado por uma positividade. A experiência de compartilhar a receptividade e amabilidade de uma família brasileira fez surgir uma amizade que, espero eu, seja duradoura”, confessa.

Pedro também relata que o receio inicial, ao ser convidado a participar do projeto, logo cedeu lugar ao afeto e à cumplicidade. “No início, tive dúvidas, mas depois, a experiência me fez entender muitas coisas. Na minha opinião, tudo aconteceu de uma forma muito linda, pois quando todos estão dispostos e querem algo, planta-se uma semente que dá frutos maravilhosos”, diz.

Após uma noite de muitas trocas, outro não poderia ser o sentimento de todos os envolvidos, se não o de plenitude. “Foi um momento acolhedor, fraternal, sincero e nutritivo. Não esqueceremos a dedicação dos anfitriões para que nos sentíssemos em família, o afeto transmitido pelos abraços e o prazer em compartilhar”, diz Cristina.

Para Pedro, o intercâmbio das tradições de Natal foi algo marcante na iniciativa. “Além do suspense em saber se o pan de jámon (prato de tradição venezuelana) iria ficar bom, também participamos de um jantar delicioso, com uma conversa agradável e familiar”, lembra.

Na opinião de Marineide, a oportunidade de confraternização em uma data tão especial para os cristãos, fortaleceu sua crença na igualdade entre os povos. “Partilhamos dos mesmos sentimentos e necessidades. Quando acolhemos o nosso próximo com amor autêntico, somos muito mais beneficiados, crescemos como seres humanos e ampliamos o nosso mundo imensuravelmente. Ao dividir o pão, estamos dizendo uns aos outros: você faz parte de mim e eu faço parte de você”, reflete.

Para Márcia, o maior aprendizado adquirido com a experiencia de acolhimento passou pelo entendimento sobre o verdadeiro valor e a verdadeira essência do Natal, que está no encontro, na possibilidade de fazer conjuntamente e, também, dividir. “Foi muito especial e gratificante! Ao abrir minha casa, neste Natal, para receber o Pedro e a Cristina, pude conhecer pessoas incríveis, aprender mais sobre o seu país de origem, suas tradições familiares e suas trajetórias de vida. A experiência aponta para o crescimento de um vínculo de amizade e, em breve, pretendemos marcar um café, para matar a saudade”, promete.

Os sonhos

Para Cristina, Pedro e Osvaldo, a chegada do ano de 2019 não representa somente o surgimento de novas amizades, mas, também, de renovação de sonhos e construção de projetos:

“Neste ano, espero que tudo melhore e que tenhamos oportunidades para crescer”.

(Pedro Salazar)

“Em 2019, tenho expectativas de aprender bem o Português e ter uma melhor qualidade de vida para mim e minha família”.

(Osvaldo Torres)

“Neste novo ano, pretendo aprender a pronunciar e escrever em Português, ser voluntária no SJMR, trabalhar na área de educação, para conhecer como este campo está se desenvolvendo no Brasil, impulsionar nosso empreendimento de artesanato em lojas, falar do Brasil para o mundo, ver minha família novamente e estar de braços abertos, disposta a receber e contribuir para este país maravilhoso”.

(Cristina Requena)

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Comentários
  • Cristina La Rosa Requena
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    Obrigada, obrigada, obrigada, maravilhoso, ele exemplo que ta dando Brasil ao mundo.

  • Marineide Borges
    responder

    O resultado deste encontro foi tao maravilhoso! Produziu em mim o desejo de fazer mais,e me mostrou que nao precisa ter muito,basta ter amor,empatia e boa vontade,para se realizar algo bom e produtivo. So tenho a agradecer a todos e ao SJMRBRASIL.ORG,atraves da pessoa,do Vinícius,que nos proporcionou esta experiência. Voce foi essencial nesse processo, Vinícius.

  • Maria da Conceição Lucio de Araújo
    responder

    Parabéns pela grande iniciativa. Se cada um de nós colocássemos uma sementinha na terra certamente uma floresta seria construida.

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