Roda de conversa discute masculinidade no contexto migratório

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As variadas nuances da masculinidade no contexto migratório foram o tema de roda de conversa online realizada, em 27 de maio, pela equipe de Integração Social do SJMR Belo Horizonte. Intitulado “Homens Refugiados e Migrantes: um bate papo sobre masculinidades e migração”, a discussão online contou a condução da psicóloga do SJMR BH, Luiza França e com facilitação do venezuelano José Miguel, estudante de psicologia e membro do Conselho das Nações.

Na ocasião, foram discutidos temas como o dos papéis sociais de gênero atribuídos a homens e mulheres na sociedade, especialmente para os migrantes. O objetivo da conversa, que contou com 12 pessoas, foi proporcionar um lugar seguro para o diálogo e para a partilha de experiências sobre a temática da masculinidade. 

Dentre os temas levantados, estavam a masculinidade tóxica, presente em variadas culturas, e a saúde mental dos homens migrantes, assunto considerado tabu na comunidade. Para José Miguel, é urgente a necessidade de discutir a masculinidade na sociedade latino-americana, em especial com a comunidade de homens migrantes. 

Segundo ele, é importante que sejam problematizados “os papéis sociais atribuídos nas diversas culturas e os efeitos negativos dessa masculinidade adoecida que tira do homem a possibilidade de pensar no bem-estar e na saúde mental como um fator determinante para o seu cuidado pessoal, incluso nesse processo de adaptação e integração na sociedade receptora. O homem migrante deve repensar o lugar que dá as suas próprias emoções e afetos para preservar a sua saúde mental”, observa.

Participou da conversa também o escritor cubano Demis Menéndez, que mora no Brasil há 13 anos. De acordo com ele, o bate-papo contribuiu para reflexões sobre a construção do papel social designado ao homem. “O encontro abriu uma janela, um lugar de escuta e cuidado para o homem migrante, indivíduos invisibilizados pela tradição patriarcal da sociedade ocidental que foca em nós o papel de provedores do lar e esconde as sutilezas do ser humano. A partir do encontro, vemos a necessidade de criar momentos nos quais a experiência e as dores venham à tona para entendermos melhor o papel numa sociedade moderna, num novo país”, pondera.  

O arquiteto venezuelano Ciro Casique Silva, que reside no país há três anos, teve uma percepção semelhante do encontro. “Queria parabenizar também a ideia de continuar a construir espaços como aquele, que nos permitam ter uma revisão e discussão sobre o patriarcado, como sistema de opressão, instalado em nossas vidas ligado a nossas vidas de migrantes e refugiados no Brasil”, finaliza o migrante, que é mestrando em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe pela UNESP. 

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