Encontro “Acolhe, Minas” reúne venezuelanos e comunidade na Catedral de Boa Viagem

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No último domingo (17 de fevereiro), na Catedral da Boa Viagem, aconteceu a primeira edição do Encontro “Acolhe, Minas”, evento de boas vindas aos migrantes venezuelanos, recentemente interiorizados para o Estado de Minas, e também, de arrecadação de recursos para as casas de acolhida preparadas pelo SJMR e Arquidioecese de Belo Horizonte para recebê-los.

Proposta durante a última reunião emergencial do projeto, realizada no último dia 09, a iniciativa contou com a participação do Grupo de Trabalho de Comunicação e Eventos e o apoio do NAASP (Núcleo de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial da Catedral de Boa Viagem), que organizaram barraquinhas de pratos e produtos típicos da Venezuela e disponibilizaram um posto de recolhimento de doações.

A missa das 11h, concelebrada por diversos religiosos, entre eles Dom Otacílio Ferreira de Lacerda , Bispo Referencial da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida, Pe. Marcelo Carlos da Silva, da Catedral de Boa Viagem e Pe. Agnaldo Jr,  Diretor Nacional do SJMR, contou com momentos de fala sobre a crise migratória na Venezuela, além da apresentações artísticas dos novos moradores. Ao final da liturgia, todos foram convidados á frente, recebendo calorosas boas vindas de todos os presentes.

O final da celebração contou com apresentações musicais e um momento de acolhida aos migrantes venezuelanos presentes

Para o Pe. Marcelo da Silva, a celebração sela uma gratidão a Deus, sendo uma grande ação de graças pela abertura simultânea das casas de acolhida no Estado: uma ao lado da própria catedral, outra, no Bairro Campo Alegre e uma terceira na cidade de Montes Claros. “Estamos atentos à insistência do Papa Francisco, que nos alerta que, onde estão os refugiados, também deverá estar a Igreja. Portanto, precisamos ser acolhida, reciprocidade, solidariedade. Devemos cumprir essa palavra de Deus que Francisco faz ressoar. Não poderíamos ficar indiferentes a um tema tão sofrido da contemporaneidade, onde pessoas têm que sair de suas terras para busca viver e sobreviver em outros lugares”, diz.

Para Dom Otacílio, o sofrimento dos irmãos venezuelanos não é solitário. “A dor, o abandono, o descaso porque que passam é nossa dor, é nosso desafio. Somos solidários com cada venezuelano. Não entramos no mérito da questão política, mas no Evangelho de Jesus Cristo, que acolhe e promove a vida. Tenham confiança, esperança e resistência!”, incentiva.

Foto: Vinicius Rocha

“Estamos atentos à insistência do Papa Francisco, que nos alerta que, onde estão os refugiados, também deverá estar a Igreja. Portanto, precisamos ser acolhida, reciprocidade, solidariedade”.

( Padre Marcelo da Silva – Catedral da Boa Viagem)

Segundo Silvia Sander,
Assistente Sênior de Proteção do Acnur (alto Comissariado da ONU para Refugiados), é grande o sentimento de gratidão por toda a mobilização da sociedade civil mineira, no sentido de acolher os migrantes venezuelanos. ““Agradecemos ao Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, a Arquidiocese de Belo Horizonte e também a toda comunidade da Igreja Boa Viagem, que está agora estendendo essa mão solidária e fraterna para acolher a essas pessoas. Vivemos hoje a maior crise de deslocamento forçado na America Latina, já com três milhões de pessoas tendo deixado a Venezuela e parte delas se estabelecendo no Brasil. Essas pessoas vêm em busca de ajuda e acolhimento, mas não chegam de mãos vazias. Trazem em suas bagagens, valores e a riqueza da diversidade. Portanto, da parte da ONU, a melhor resposta a essas crises humanitárias é engajar essa gama de atores, instituições e pessoas, em comunhão de esforços, para esse intercâmbio tão rico que a migração e o refúgio nos trazem”, reforça.

Barraquinhas típicas

A chuva que começou a cair pouco antes do final da celebração não diminuiu o espírito de solidariedade de todos os participantes. Ao lado das barracas, formou-se uma animada fila de pessoas, curiosas para provar, pela primeira vez,
arepas, tequeños , dulce de lechoza  e papelon con limon, pratos típicos da culinária venezuelana, preparados por voluntários venezuelanos que já moram em Belo Horizonte há algum tempo se mobilizaram para preparar.

Foto: Acnur
Foto: Acervo SJMR

Após a celebração, todos puderam conhecer delícias típicas da culinária venezuelana

Para Isabel Vasquez, venezuelana que já mora em Belo Horizonte há 4 anos e foi uma das organizadoras do evento, o desejo de ajudar os compatriotas foi instantâneo. “Recebemos a chamada do SJMR e sentimos muita vontade de ajudar, porque conhecemos a situação que está acontecendo em nosso país. Muitas pessoas estão chegando em uma situação de desespero e sem estrutura para morar aqui para participar”, opina. Para ela, a iniciativa também foi uma oportunidade de conhecer pessoas. “O encontro excedeu as expectativas, pois vieram muito mais pessoas do que eu imaginei. É sempre muito legal encontrar gente da nossa terra e sentir um pouco o calor dos nossos irmãos”, confessa.]

Na opinião de Jeania Machado, voluntária do NAASP, o encontro foi de extremamente válido, na medida em que tornou possível o acolhimento e a sensibilização dos paroquiano sobre a questão migratória venezuelana. “Estamos apoiando o Projeto Acolhe, Minas, prestando apoio psicológico e fornecendo doações para os irmãos venezuelanos. Esse é o primeiro de muitos eventos. Espero que possamos outros e, até mesmo, apoiá-los materialmente”, diz.

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