Indígenas venezuelanos Warao utilizam o artesanato para preservar suas tradições em BH

Home / Belo Horizonte / Indígenas venezuelanos Warao utilizam o artesanato para preservar suas tradições em BH

Para manter vivas as tradições culturais e artesanais dos indígenas venezuelanos Warao, que buscaram um novo recomeço em Belo Horizonte, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados tem realizado diversas ações de proteção e integração, entre elas, o fortalecimento das habilidades artesanais dos migrantes para geração de renda. 

A iniciativa do SJMR BH busca valorizar a cultura e o trabalho das artesãs, mas também desenvolver uma pequena cadeia produtiva que possa gerar renda e garantir a autonomia financeira para as famílias. “Além de manter a tradição cultural da produção artesanal dos Waraos, queremos promover a autossuficiência para que essas pessoas migrantes possam caminhar de forma autônoma”, comentou Marcelo Lemos, coordenador do SJMR BH. 

Na semana passada, os indígenas Warao iniciaram a produção de peças de artesanato com o objetivo de gerar renda para as famílias, durante o distanciamento social.

O artesanato está sendo produzido pelas mulheres migrantes de forma coletiva, o que possibilita o compartilhamento das técnicas com outras gerações, fortalecendo os vínculos comunitários e familiares. As oficinas de produção contam com o apoio de uma artesã indígena da etnia brasileira Ticuna, que, tem auxiliado voluntariamente na confecção das peças artesanais. Toda matéria-prima utilizada para produção foi recebida por meio de doações. 

Peças artesanais produzidas pelas mulheres indígenas Warao estão disponíveis para venda. 

Se você tem interesse em conhecer e adquirir as peças artesanais, ou deseja colaborar com essa iniciativa, entre em contato conosco pelo telefone (31) 98943-2112. 

Indígenas Waraos em BH 

No início de fevereiro, o SJMR BH iniciou o atendimento de três famílias indígenas waraos, num total de 17 pessoas, e articulou a organização de instituições para consolidar a proteção integral dos migrantes. 

Com o apoio do SJMR BH, organizações com o Alto Comissariado Nacional para Refugiados (ACNUR), Ministério Público Federal, Defensoria Estadual de Minas Gerais para Infância e Adolescência e órgãos de assistencial social, educação e saúde municipais e estaduais, têm atuado em frentes de apoio, e feito o acompanhamento direto dos migrantes para autonomia e integração local. 

O SJMR BH tem acompanhado de perto todas as ações de proteção e integração dos indígenas warao e mobilizado instituições e parceiros para garantira integração local e a autonomia dos migrantes.

“Embora as famílias já estejam no Brasil há dois 2 anos, os migrantes continuam enfrentando grandes desafios na busca por uma vida digna. O SJMR BH, com o apoio do ACNUR e esforço coletivo de alguns parceiros, conseguiu articular uma nova possibilidade de vida para essas famílias migrantes. Atualmente elas foram acolhidas na Vila Alberto Hurtado, espaço do SJMR para o acolhimento de migrantes, em Belo Horizonte”, explica Yolis Lyon, analista de integração social do SJMR BH. 


Nas atividades de integração local, o SJMR também tem promovido ações de resgate da autoestima dos migrantes, como ações de cuidados e a celebração do aniversário das crianças indígenas. 

Conhecidos como ‘Povo da Água’, os Warao é o segundo maior povo indígena da Venezuela, com cerca de 49 mil pessoas. Desde de 2016 começaram a chegar no Brasil, devido à crise política e econômica do país. Hoje, estima-se que pelo menos 4.500 indígenas Warao vivem no Brasil. 

Roraima e Amazonas têm sido os principais pontos de concentração da etnia no Brasil. Mas devido à mobilidade, os Warao já se encontram em vários estados brasileiros. 

Deixe um Comentário