SJMR Porto Alegre participa do processo de interiorização de venezuelanos no RS

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No dias 05, 12 e 13 de setembro, as equipes do SJMR de Porto Alegre, da OIM (Organização Internacional para as Migrações) e do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) se mobilizaram para acolhimento dos primeiros refugiados venezuelanos no Rio Grande do Sul, trazidos por meio do programa federal de interiorização, iniciado na última semana de agosto, após a assinatura de um acordo de cooperação entre Governo Federal, prefeituras e ONU/ASAV.

O primeiro grupo, que chegou ao Estado na terça-feira (11) foi recebido por voluntários e, após uma refeição, transportados até o Município de Esteio. Na quarta-feira (12), aconteceu a chegada de outro grupo com 201 migrantes, que desembarcou no início da tarde e receberá moradia no município de Canoas. Entre as autoridades presentes na chegada dos migrantes venezuelanos a Canoas, estavam o prefeito do município, Carlos Busato, e sua vice, Gisele Uequed, além da secretária do Desenvolvimento Social da cidade, Luisa Camargo. De acordo com Busato, a empatia pela causa surgiu tão logo o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, convidou Canoas para ser uma das cidades a acolher os migrantes. “Quando recebi o telefonema do ministro, a primeira coisa que me veio à mente foram meus familiares que há algumas décadas atrás foram recebidos aqui no Brasil, vindos da Itália em uma situação parecida com essa. O sentimento de solidariedade imediatamente aflora na gente, no sentido de acolher essas famílias. Eles estão saindo de lá não por vontade própria, mas pela situação do país”, diz.

Prefeito de Canoas recebe migrantes

Prefeito de Canoas, Alberto Beltrame, recebe os primeiros venezuelanos no município

Segundo o prefeito, a população de Canoas vem se mostrando solidária à questão dos venezuelanos. “A notícia da chegada deles criou um clima, uma sinergia muito grande na população. A comunidade de Canoas também atendeu ao apelo e nós recebemos várias doações, ofertas de emprego, ou seja, pessoas querendo agregar a essa iniciativa”, afirmou. Nesse grupo composto por 201 pessoas estão 65 crianças (13 dias a 12 anos), 13 adolescentes (de 13 a 18 anos), 56 homens (entre 19 e 56 anos) e 67 mulheres (de 19 a 57 anos).

Como é organizada a interiorização

A interiorização é uma iniciativa criada para ajudar venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade a encontrar melhores condições de vida em outros Estados brasileiros e conta com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da Agência da ONU para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Venezuelanos regularizam documentação

Migrantes acolhidos nos Estado passam por vacinação,.exames de saúde e regularização documental.

Para aderir à interiorização, o ACNUR identifica os venezuelanos interessados em participar e cruza informações com as vagas disponíveis e o perfil dos abrigos participantes. A agência assegura que os indivíduos estejam devidamente documentados e providencia melhoras de infraestrutura nos locais de acolhida. A OIM atua na orientação e informação prévia ao embarque, garantindo que as pessoas possam tomar uma decisão informada e consentida, sempre de forma voluntária, além de realizar o acompanhamento durante todo o transporte. O UNFPA promove diálogos com mulheres e pessoas LGBTI para que se sintam mais fortalecidas neste processo, além de trabalhar diretamente com a rede de proteção de direitos nas cidades destino com o objetivo de fortalecer a capacidade institucional. Já o PNUD trabalha na conscientização do setor privado para a absorção da mão de obra refugiada. Todos os solicitantes de refúgio e de residência que aceitaram participar da interiorização são vacinados,  submetidos a exames de saúde e regularizados no Brasil.

Força-tarefa

Em setembro, os municípios de Canoas e Esteio receberão 646 migrantes venezuelanos, que desembarcam em solo gaúcho em busca de uma nova vida. garantindo moradia e dando primeiro passo no processo de proteção e integração de diversas famílias.

A ASAV, mantenedora de obras como o Colégio Anchieta e a Unisinos, funciona como agência implementadora do Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) com o Programa Brasileiro de Reassentamento Solidário de Refugiados. A instituição tem apoiado as prefeituras com a sua tecnologia social desenvolvida há mais de dez anos e, paralelamente, convidado as comunidades educativas das duas instituições jesuítas a unirem forças para agilizar o processo de integração dos venezuelanos à sociedade.

Segundo a coordenadora do programa, Karin Wapechowski, essas ações visam não somente a boa acolhida dos venezuelanos no estado, mas que, também, estes sejam reconhecidos por suas competências. “Queremos acelerar este processo de adaptação das famílias venezuelanas no Rio Grande do Sul e nada melhor que a devida colocação no mercado de trabalho, respeitando a qualificação profissional de cada um. Dessa maneira, conseguimos com que eles se sintam cada vez mais parte da nossa sociedade, contribuindo com ela e restabelecendo sua dignidade”, explica.

Hoje, por volta das 16h, a equipe se mobilizará para receber mais 192 venezuelanos, que  serão mobilizados para as ambas as cidades.

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