Sete anos do SJMR-BH: escuta, resposta e discernimento

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Neste dia 13 de novembro, o SJMR Belo Horizonte celebra sete anos de presença na capital mineira, como o único centro de referência especializado no atendimento a migrantes e refugiado do estado. Confira o artigo do coordenador do SJMR-BH Marcelo Lemos.

Escuta

Pessoas migrantes e refugiadas buscando novas possibilidades de vida encontram em Belo Horizonte, na região metropolitana e no estado de Minas, condições de um presente diferente, um futuro esperançoso e um olhar para o passado com a generosidade da reconciliação. Afinal, os deslocamentos na sua grande maioria não acontecem pelo desejo apenas de vida melhor, senão pelo fim da convivência com a guerra, as fortes crises econômicas, as mudanças climáticas, o impacto dos grandes empreendimentos de exploração dos recursos naturais, a ausência de Estados com uma organização política mínima que garanta acessos a direitos vitais com água potável, segurança e soberania alimentar, educação, saúde coletiva, energia elétrica, gestão de riscos de desastres naturais, etc.

Diante desse contexto começam religiosas e religiosas, leigos e leigas inspirados pela Vida e Missão de Inácio de Loyola um espaço para acolhida e ensino do português para migrantes haitianos que eram o principal grupo na época. E assumem desde o mandato de ‘amar e servir’ a cada pessoa oferecer um serviço de apoio neste contexto de imigração.

Resposta

Do Centro Zanmi até os dias atuais como Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, consolidou sua prática a partir de seis áreas: 1. Área de proteção; 2. Área de integração social; 3. Área de meios de vida; 4. Área de incidência sociopolítica e; 5. Área de formação, espiritualidade e Pastoral e por fim, 6. Área de Gestão Operacional. A partir das quatro primeiras áreas presta serviços jurídico, documental, trabalhista e empregabilidade e sócio assistencial a migrantes e refugiados. Na área quatro articulam-se todos os temas de incidência social e política de diálogos externos com a comunidade, poder público e espaços de controle social e participação, e mantem-se comprometido na promoção e garantia da Política Nacional da Assistência Social. As áreas cinco e seis são de fortalecimento institucional e cuida para que se efetivem as preferências apostólicas universais da Companhia de Jesus, o plano apostólico dos Jesuítas no Brasil e os princípios do SJMR Brasil. Além de seguir amadurecendo rumo uma gestão horizontal, buscado condições para a participação dos atendidos e favorecer uma formação integral dos colaboradores contratados, dos estagiários e dos voluntários.

Discernimento

A fim de integralizar a transversalidade das áreas o SJMR-BH conta com três espaços auxiliares de gestão: 1. Conselho Ampliado, que reúne todos os colaboradores do SJMR BH; voluntários, estagiários e contratados. Este espaço é responsável de realizar coletivamente três seminários anuais para os processos de avaliação, planejamento, monitoramento; 2. Conselho Operacional, que é composto por referências de cada área de atuação, uma religiosa das filhas de Jesus, e a coordenação. Tem um caráter mais executivo e deliberativo para as demandas cotidianas. E ainda o Conselho das Nações, composto por pessoas migrantes e refugiados líderes para ser um espaço de escuta em termos da responsabilização ética (accountability), além de promover a integração e sentido de pertença com o Serviço Jesuíta. Este conselho está em fase de construção.

A organização e a implementação do SJMR-BH garantiram, em 2019, 3.400 pessoas atendidas, perfazendo um total de 6.800 atendimentos. Das 58 nacionalidades atendidas pelo SJMR em 2019, as 5 maiores Haiti, Venezuela, Colômbia, Bolívia e Cuba, representaram juntas 90% do total. No contexto da migração Haitiana, dos 2.610 haitianos atendidos pelo SJMR em 2019, 60% destes chegaram ao Brasil entre 2013 a 2019. Especificamente sobre a migração venezuelana, foram 429 venezuelanos atendidos pelo SJMR em 2019.

Graças à sua história de sete anos, o SJMR – Belo Horizonte é hoje um centro especializado em atendimento a migrantes e refugiados e conta ainda com a Vila Alberto Hurtado como casa da acolhimento a migrantes e refugiados, tendo o respeito dos órgãos governamentais e demais instituições parceiras. Além disso, atua como um canal de informação e apoio aos migrantes, sendo este trabalho reconhecido pela comunidade de acolhida. Tal reconhecimento facilita a garantia de direitos do público-alvo prioritário. Em 2020, o SJMR-BH atuou para aumentar a qualidade de seus serviços, potencializando prioritariamente a integração social diante da pandemia global da COVID-19 e articulando as demais áreas na mesma direção: favorecer processos de assistência e proteção social integral para que a vida de cada pessoa seja cuidada com uma rede local que promove esforços bilaterais para que nenhuma vida se perca, como uma expressão concreta de ‘fraternidade e amizade social’ do local ao global.

Na celebração de aniversário realizada na Vila Alberto Hurtado, com as reservas necessárias devido a pandemia, recordamos com profunda gratidão aos tantos homens e mulheres que nestes sete anos deixaram sua colaboração como contratados, voluntários ouestagiários. E sem que sintam-se não recordados os que não aparecem na lista abaixo, é para todos e todas e como expressão também de cada pessoa atendida, nosso imenso obrigado para: Cristina Carolina, Vinícius Rocha, Pascal Peuze,Thamara Machado, Priscilla Marinho, Simone Marques, Padre Agnaldo, I.r Elaine, Willma Huanca, Juliana Rocha, Dimas Oliveira, Michele Bergamini, David Caixeta, Thamara Machado, Simone Costa Marques, Emmanuel, Wesley, Mario, Pancho, Paula Hernandez (Colombia), Ricardo da Silva SJ (África do Sul), Ir. Davidson Braga SJ (anterior diretor do SJMR), Arthur Carvalho, Valdênia Carvalho (Diretora da Dom Helder).

O Senhor Jesus nos ajude a mantermo-nos fieis ao chamado, e abertos à sua condução. Na confiança que somos apenas uma parte feita por todos e todas, mas a maior vem do Espírito de Amor.

Marcelo A Lemos

Pela coordenação do SJMR-BH

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