Um recomeço fraterno

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Com mais de 1000 venezuelanos interiorizados, em menos de um ano, o Projeto Acolhe Brasil chegou a vários estados e mobilizou redes solidárias de acolhida e assistência social, em todo o Brasil. Conheça as Casas de Acolhida do SJMR espalhadas pelo país.

por Janaína Santos

Grupo de Migrantes na Casa Dom Luciano em São Paulo

SÃO PAULO – Casa Dom Luciano

A Casa de Acolhida Dom Luciano já recebeu mais de 120 pessoas, em oito meses de atividade. Em parceria com a Fundação Fé e Alegria, que faz a gestão da casa e apoia as iniciativas de capacitação profissional, o espaço é reconhecido por vários organismos e grupos, devido à sua acolhida humanizada.

O Irmão Edilberto Feitosa, que foi um dos responsáveis pela condução dos trabalhos na capital paulista, detalha que todo acolhimento é feito de forma humana e fraterna, em busca da autonomia e da promoção dos venezuelanos. “Nosso acolhimento é humanizado, com extrema preocupação em promover o resgate da dignidade dessas pessoas, desde as pequenas ações. E aos poucos vamos observando essa transformação de vida, para cada um deles”, ressalta.

A Casa conta com o apoio de doadores e voluntários, inclusive para a condução dos cursos de capacitação em Cuidador de Idosos, Babysitter e Massoterapeuta. As formações são semipresenciais e ministradas por profissionais da área aos venezuelanos. “Muitos têm formação, mas não possuem a validação para exercerem sua profissão no Brasil. Assim, vimos que organizar uma capacitação profissional era a melhor forma de inseri-los no mercado de trabalho brasileiro”, relata Fabiane Kolosque, fisioterapeuta e uma das coordenadoras da capacitação profissional em SP.

Grupo de Migrantes no Escritório SJMR em Belo Horizonte

MINAS GERAIS

Através da mobilização de uma rede solidária para a acolhida de venezuelanos em Minas Gerais, o SJMR de Belo Horizonte estruturou o projeto “Acolhe Minas”, com apoio da sociedade civil, organizações religiosas, universidades, ONGs e o ACNUR, e recebeu, neste ano, dois grupos no estado, num total de 91 migrantes.

O primeiro grupo veio de Boa Vista, em 15 de fevereiro, e foram realocados em três casas de acolhida: duas na capital mineira e uma em Montes Claros, norte de Minas. Na capital mineira, além do SJMR, a rede é composta pelo ACNUR, Arquidiocese de Belo Horizonte, Providens Ação Social Arquidiocesana de Belo Horizonte, Caritas Regional Minas Gerais, PUC-Minas, Instituto Felix Guatarri, Rede Filhas de Jesus, NAASP, Cio da Terra, Colégio Loyola, FAJE, Colégio Santo Agostinho, Colégio Marista, Escola Superior Dom Hélder, Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, CEFET, Defensoria Pública, além de profissionais e refugiados venezuelanos que já residiam na cidade, estudantes e profissionais que atuam na área da saúde e assistência social.

Silvia Sander, do ACNUR, comenta que as parcerias para projetos de interiorização, como o “Acolhe Minas” realizado pelo SJMR em Minas Gerais, são de extrema importância para a minimização dos impactos da crise migratória na Venezuela. “Uma situação humanitária que tem esse nível de complexidade demanda, necessariamente, o engajamento de todos os atores sociais: do poder público, da sociedade civil, academias, agências do sistema ONU e da iniciativa privada, entre outros, para responder efetivamente aos desafios que esse tema traz”, afirma.

Pe. Agnaldo, diretor do SJMR, apresenta o Projeto aos Migrantes no escritório em Belo Horizonte

Casa do Migrante – Belo Horizonte

Organizada com apoio do Vicariato de Ação Social da Arquidiocese de Belo Horizonte, da Paróquia da Boa Viagem e do ACNUR, a ‘Casa do Migrante’ está localizada próximo à Igreja centenária, no centro da cidade, e já acolheu 34 venezuelanos, todos homens e solteiros.

Maikel Isturiz é um dos venezuelanos interiorizados no estado, que integrou o grupo primeiro. Ele viveu na Casa do Migrante e hoje já estabeleceu residência no município mineiro de Tiradentes. “Morava em Boa Vista e o acolhimento que recebi em Belo Horizonte foi muito importante. Sou muito grato à equipe do SJMR, que me atendeu e me ajudou a conseguir um emprego”, relata o migrante, que acredita que a inserção no projeto trouxe uma nova possibilidade de futuro.

Para Francisco Rodriguez, que também reside no Estado há 5 meses, o atendimento do SJMR tem sido excelente. “Desde a saída de Roraima, a atenção que recebi foi impecável. Durante minha estadia na casa de acolhida, me senti em casa. A atenção de cada uma das organizações que nos apoiaram foi a melhor possível, especialmente nos atendimentos de inserção laboral. Graças a este cuidado, consegui uma oportunidade de trabalho que respeita meus direitos e que está dentro do meu perfil profissional”, diz.

Grupo de Migrantes Venezuelanos em Belo Horizonte

Casa Alberto Hurtado – Belo Horizonte

A residência jesuíta Casa Alberto Hurtado, localizada no bairro Campo Alegre, recebeu ao todo 16 venezuelanos. A família de Mary Anllel Zamora, que também fez parte do primeiro grupo, residiu no espaço compartilhado por três meses. Hoje, ela já encontrou trabalho e reside em uma casa alugada, na mesma região. Recentemente, com a vinda do segundo grupo, conseguiu reunir grande parte da família em Belo Horizonte. “Quando chegamos a Minas, as pessoas nos acolheram de uma maneira que nos sentimos em nossa casa. É uma grande diferença em relação a Roraima. Não somos mais vistos como aqueles que poderiam retirar as oportunidades de trabalho dos brasileiros. Todos os dias conhecemos pessoas novas e com o coração enorme. É extraordinário. É muito gratificante fazer parte desse projeto. Somos pioneiros no estado, daremos nosso melhor e queremos fazer parte dessa cadeia para que outros cheguem até aqui também. Agora, com grande parte da nossa família reunida, estamos ainda mais contentes”, diz Mary, entusiasmada.

Migrantes na Casa Padre Pedro Arrupe em Montes Claros

Casa Padre Pedro Arrupe – Montes Claros

Atendendo ao propósito de fraternidade e acolhida, a Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e São José de Anchieta recebeu nove famílias venezuelanas, que chegaram a Minas cheios de esperança para um novo recomeço. “Desde que chegou a proposta de acolhimento, paroquianos, conselheiros e comunidades vizinhas imediatamente realizaram campanhas e se mobilizaram para arrecadar doações de alimentos, itens de higiene, roupas e móveis”, comenta Maria Goretti Silva Cordeiro, funcionária da Paróquia e voluntária no projeto de interiorização na cidade.

As equipes de apoio também auxiliaram na mediação para o trabalho, acesso aos serviços de saúde e matrícula das crianças e adolescentes nas escolas da rede pública.

BAHIA

Grupo de Migrantes no Sítio Loyola em Camaçari

Sítio Loyola – Camaçari

Com o acompanhamento do Colégio Antônio Vieira (Salvador – BA), que faz parte da Rede Jesuíta de Educação, foram cedidas duas casas e espaços de convivência, no Sítio Loyola, situado no município de Camaçari. Aí foram acolhidos sete núcleos familiares, num total de 24 venezuelanos. O projeto conta ainda com o apoio do Serviço de Orientação Pastoral (Sorpa), que auxilia no apoio local, integração na comunidade e mediação para o trabalho.

Colaboradores e alunos do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Minorias Sociais (NEIMS) e do Núcleo Ambiental do Vieira (NAV), do Colégio Antônio Vieira, também realizaram atividades recreativas e culturais com as crianças migrantes e construíram uma horta comunitária, para ajudar na subsistência das famílias acolhidas.

Grupo de Migrantes Venezuelanos em Capim Grosso

Paróquia São Cristóvão e ONG Acacacg – Capim Grosso

Atendendo ao convite do SJMR, a Associação Comunitária Assistencial da Criança e do Adolescente de Capim Grosso (Acacacg) e a Paróquia São Cristóvão do município de Capim Grosso, Diocese de Bonfim (BA) acolheram três famílias venezuelanas. “Estávamos acompanhando o drama dos refugiados mundo afora e a necessidade de acolhimento que o Papa Francisco nos convidava a assumir. Ao recebermos a carta do Serviço Jesuíta, aderimos à iniciativa e sentimos um grande desejo de nos juntar a esse corpo apostólico. A comunidade foi muito acolhedora e recebeu com alegria esse desafio. Demos o nosso sim”, lembra Iracema Lima dos Santos, voluntária da Missão Jesuíta do Sertão há mais de 20 anos.

Em Capim Grosso, o projeto conta com o apoio da ONG Acacacg – que acolheu os venezuelanos em sua própria sede – e com uma rede de famílias e empresários solidários, que tem amparado as ações dessa iniciativa.

Casa Nossa Senhora da Graça – Feira de Santana

Em Feira de Santana, três famílias (atualizar) venezuelanas foram recebidas na Casa do Noviciado Jesuíta Nossa Senhora da Graças, um dos espaços de acolhimento no estado. “Quando decidimos acolher o grupo não tínhamos a ideia dos sentimentos e sofrimentos que essas pessoas traziam. Hoje nos sentimos parte dessa história e podemos vivenciar a experiência do amor fraterno. Estamos muito felizes e gratos por realizar esse trabalho”, comentou a voluntária Ana Lúcia Vieira, do grupo de apoio de Feira de Santana.

O Mapa da Interiorização

Para responder ao fluxo de migrantes na fronteira em Roraima, a “Operação Acolhida” tem envolvido todos os estados brasileiros. Através do SJMR, 1048 pessoas foram interiorizadas em 16 estados. Acompanhe o mapa do projeto de interiorização:

Escolaridade – 78% dos venezuelanos que chegam ao Brasil possuem nível médio completo e 32%têm superior completo ou pós-graduação.

(FGV DAPP – jul/17)

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