Reportagem Jornal Zero Hora destaca primeiro ano do SJMR de portas abertas em Porto Alegre

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*Leia a reportagem na íntegra.

Com 3 mil atendimentos em um ano em Porto Alegre, serviço para migrantes e refugiados se muda para novo endereço

SJMR efetivou mais de 80 contratações em empresas do Rio Grande do Sul e já está em atividade na Avenida Venâncio Aires, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil) completou um ano de portas abertas em Porto Alegre no último sábado (22), com a mudança para uma sede nova. O espaço funciona como um centro de acolhida e atendimento gratuito à população migrante (vinda do Exterior e de outros Estados) e refugiados. A inauguração oficial ocorre somente em 18 de fevereiro, mas o centro, que antes ficava no bairro Menino Deus, já funciona no novo endereço, na Avenida Venâncio Aires, bairro Farroupilha. O objetivo da mudança é garantir melhor infraestrutura e facilitar o acesso.

Apenas neste primeiro ano de funcionamento, o centro realizou mais de 3 mil atendimentos, além de efetivar mais de 80 contratações de migrantes em empresas do Rio Grande do Sul. Foram realizadas ainda quatro jornadas de integração comunitária, cursos de português e de qualificação, entregas de doações, sessões informativas, entre outras ações de integração local.

De acordo com Lucas do Nascimento, assistente social e coordenador do SJMR em Porto Alegre e Florianópolis, nos últimos anos, nascidos na Venezuela e no Haiti são a maioria dos migrantes no Brasil. Há mais de 1,1 milhão de registros migratórios ativos, além de mais de 295 mil solicitações de refúgio e 40 mil refugiados reconhecidos.

A migrante venezuelana Tina Belisario, 55 anos, técnica em Fisioterapia, se mudou para o Brasil em março de 2021. Seu filho já morava em Canoas há um ano e a influenciou a se mudar para o país, onde considera haver oportunidades para imigrantes venezuelanos. O acordo era que ele e sua família a receberiam em casa até que ela começasse a trabalhar. Quando chegou, Tina foi à procura de escritórios que atendessem imigrantes, mas não os encontrou. 

Em junho, ficou doente e não conseguiu mais trabalhar, o que a obrigou a deixar o emprego, no qual lavava louças em uma padaria. Em agosto, alguns amigos venezuelanos lhe falaram sobre o SJMR. Tina entrou em contato com o centro e marcou um atendimento – mas perdeu a oportunidade, porque não conseguiu dinheiro para se deslocar até Porto Alegre. Para sua felicidade, conseguiu remarcar. Lá, recebeu o apoio que buscava.

– Desde o primeiro momento me trataram muito bem, com interesse, carinho, e consegui encontrar um lugar onde ouvissem meus problemas – conta Tina. – Eu estava tentando ver a médica no posto de saúde há vários meses, e foi graças a uma carta que o SJMR me deu e eu levei ao posto de saúde que eu pude ter atendimento médico. E o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) me incluiu em seu programa de cesta básica graças a eles.

Como já não pode mais trabalhar devido aos problemas de saúde, o centro também a ajudou com um auxílio financeiro de R$ 830 por mês durante três meses, válido até janeiro – o que a levou a buscar novo atendimento nesta segunda-feira (24) -, além de um suprimento de produtos de higiene pessoal e um vale transporte para poder pagar as passagens de ida e volta.

Seu filho ainda ajuda a comprar comida e remédios, mas, com o auxílio financeiro fornecido pelo SJMR, a imigrante conseguiu pagar o aluguel e contas. Por esses motivos, Tina considera o centro 100% efetivo.

– Mas, para mim, o mais importante é a qualidade humana que recebo em cada visita que faço – confessa.

Para o coordenador do SJMR em Porto Alegre, ter um serviço de referência que atenda a população migrante e refugiada é de extrema importância, considerando as diversas dificuldades enfrentadas por essa população no acesso e na garantia dos seus direitos.

– O nosso objetivo é garantir uma vida digna para migrantes no Brasil, para que consigam se integrar à comunidade e ter uma nova oportunidade de vida – ressalta.

Como buscar ajudaO SJMR Brasil é mantido pela Companhia de Jesus (a mesma que veio ao Brasil em 1549 para realizar a catequização dos índios), presente em mais de 56 países. O centro oferece serviços de apoio e assistência humanitária aos migrantes e refugiados na Capital, voltados a proteção psicossocial, assessoria jurídica e integração socioeconômica – como atendimento a casos em situação de risco, buscando o acesso e a garantia de direitos junto a Assistência Social, Saúde, Educação, Previdência Social etc.; orientação sobre regularização migratória, revalidação de diplomas, legislação trabalhista e cível; apoio ao ingresso no mercado de trabalho e sensibilização de empresas para promover o acesso; entre outras ações.

Os interessados em receber atendimento podem entrar em contato com o SJMR pelo e-mail atendimentopoa@sjmrbrasil.org ou pelo número +55 51 9995-5573 (WhatsApp). O centro funciona de segunda a quinta-feira, das 9h às 17h, na Avenida Venâncio Aires, 1.048, ao lado do Hospital de Pronto Socorro (HPS).

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