Projeto PSEA promove conscientização sobre exploração e abuso sexual

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Desde outubro, o projeto PSEA – Proteção contra exploração e abuso sexual promoveu uma série de ações visando informar e sensibilizar crianças, homens, mulheres e a comunidade LGBTQI+ migrante sobre a prevenção da exploração e do abuso sexual. Em dezembro, o projeto concluiu as suas atividades e reforçou o comprometimento do SJMR Brasil nas ações de proteção contra a exploração e o abuso sexual.

Recentemente, o estudo “violência de Gênero, Nacionalidade, e Raça/Etnia”, publicado pelo UNFPA e apresentado durante a Live “Panorama Atual da Migração Venezuelana”, promovida pelo SJMR Brasil, alertou para a urgência do tema no contexto das violência de gênero. Segundo a pesquisa, “cerca de 14% das mulheres [entre 530 brasileiras e venezuelanas que residiam em Pacaraima ou Boa Vista] foram agredidas física e sexualmente depois dos 15 anos de idade e a mesma proporção foi estuprada antes dos 15 anos. Entre as venezuelanas, 19% sofreram violência sexual depois dos 15 anos”.

Diante deste cenário, o PSEA, projeto desenvolvido pelo SJMR Brasil em parceria com o Setor de Proteção da Plataforma R4V, buscou conscientizar pessoas migrantes e trabalhadores humanitários sobre como as situações de exploração e abuso sexual acontecem, indicando as possibilidades de canais de denúncias e redes de apoio e proteção. Durante o mês de dezembro, foram apresentadas cenas de teatro pelo ator Eduardo Mossri, oficinas com livretos infanto-juvenis, animações educativas e um documentário para sensibilização do tema. As produções abordaram temas como tráficos de pessoas, exploração sexual e situações de abuso e violência sexual.

As cenas de teatro e o documentário foram dirigidos pelo ator e diretor Eduardo Mossri, que também produziu, em conjunto com a diretora de teatro Karen Menatti, os roteiros de ambas as produções.

Eles se basearam em histórias reais de abuso e exploração sexual no contexto migratório. Relatos que, segundo Eduardo, o ajudaram a pensar de maneira diferente e refletir como, artisticamente, é possível informar sobre a temática. Ele acredita que, através desse viés artístico, foi feita uma denúncia com o cuidado necessário diante da delicadeza do tema.


Com a atuação em cena do ator e diretor Eduardo Mossri, arte foi utilizada para conscientizar migrantes e trabalhadores humanitários sobre a exploração e o abuso sexual.

O diretor também ressalta a importância de falar sobre esse tema. De acordo com ele, a exploração e o abuso sexual não podem ficar abafados, em segredo, e as produções cumpriram o papel de aproximar e informar o público sobre essas situações.

No palco do Teatro Jaber Xaude, do Centro Cultural Sesc Mecejana, Eduardo contracenou com Verônica Rodriguez, assistente de projetos do SJMR Boa Vista, e Renata Jasbel, mulher trans migrante. As cenas reproduziram situações que acontecem no dia a dia, como o aliciamento para o tráfico de pessoas e situações de abuso sexual.

“O abuso ou a exploração não começa com um tapa na cara. Vai cerceando por muitos anos, até perceber que uma pessoa perdeu completamente o direito de ser”. Conclui Eduardo, que, como ator, interpretou o médico sírio Faruq na novela Órfãos da Terra (Rede Globo).


Cenas de teatro aconteceram no Palco do Teatro Jaber Xaude

Uma das cenas também buscou conscientizar os trabalhadores e trabalhadoras da assistência humanitária sobre como os atos de exploração e abuso sexual afetam indivíduos e comunidades inteiras. De acordo com Georgina Bolivar, coordenadora do SJMR Boa Vista, orientar esses trabalhadores é fundamental para combater esses atos no contexto migratório.

“Cabe a nós, organizações da sociedade civil, em conjunto com as agências da ONU, levar essa mensagem para todos os nossos colaboradores, pois eles precisam reproduzir as boas práticas e boas condutas em relação à prevenção da exploração e do abuso sexual”, reforça Georgina.

Além do SJMR, atores humanitários locais que atuam na Operação Acolhida como CREAS, Casa da Mulher Brasileira, AVSI Brasil, Fraternidade Sem Fronteira e Exército de Salvação participaram das atividades do PSEA.

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