Organizações da Plataforma R4V lamentam inundação de instalações da Operação Acolhida para migrantes venezuelanos em Manaus

Home / Brasil / Organizações da Plataforma R4V lamentam inundação de instalações da Operação Acolhida para migrantes venezuelanos em Manaus

R4V reúne no Brasil 48 organizações da sociedade civil e das Nações Unidas, entre elas o SJMR Brasil. Resposta está sendo coordenada com a Operação Acolhida e autoridades locais e já atende às novas necessidades de proteção e assistência dos migrantes.

O Alojamento de Trânsito de Manaus, que abrigava cerca de 100 refugiados e migrantes venezuelanos à espera da interiorização, ficou totalmente destruído após a enchente da última segunda feira ©ACNUR / Felipe Irnaldo

A Plataforma R4V – Resposta a Venezuelanos e Venezuelanas, composta por 48 organizações da sociedade civil e da ONU – se solidariza com as pessoas afetadas no alagamento que ocorreu na capital do Amazonas e em particular no Posto de Interiorização e Documentação (PITRIG) e do Alojamento de Trânsito de Manaus (ATM) da Operação Acolhida, na última segunda feira (03 de maio).

E de forma coordenada com a Força Tarefa Logística e Humanitária da Operação Acolhida e autoridades locais, a Plataforma já está respondendo às novas necessidades de refugiados e migrantes geradas por esta situação.

As instalações do PITRIG e do ATM, que foram completamente destruídas, atendiam refugiados e migrantes da Venezuela em Manaus com serviços de registro, documentação, saúde e cadastro para a estratégia de interiorização, além de alojamento para pessoas que aguardam o embarque para outras cidades do país. O atendimento é prestado por trabalhadores humanitários, funcionários públicos e militares das Forças Armadas.

A forte enxurrada invadiu e danificou as estruturas dos dois espaços, que ficarão sem funcionar por tempo indeterminado. Felizmente, não houve vítimas fatais. As pessoas com algum ferimento foram atendidas de imediato e passam bem.

No momento do alagamento, cerca de 100 refugiados e migrantes venezuelanos que viajariam nesta semana em voos da estratégia de interiorização encontravam-se no ATM. Na área do PITRIG, outras pessoas estavam sendo atendidas. Além disso, encontravam-se no local trabalhadores humanitários das organizações da Plataforma que atuam em Manaus, além de militares das Forças Armadas e outros órgãos governamentais.

Durante e imediatamente após a enxurrada, trabalhadores humanitários, militares das Forças Armadas, agentes da Polícia Federal, funcionários de organizações da sociedade civil e servidores públicos que atuam na Operação Acolhida em Manaus começaram a atuar na redução dos danos e no apoio às vítimas.

Nas últimas horas, as organizações da Plataforma, em coordenação com as autoridades locais e a Força Tarefa da Operação Acolhida, conseguiram realojar os refugiados e migrantes que estavam no ATM para os alojamentos da Vila Olímpica (espaço cedido pela Fundação de Alto Rendimento do Estado Amazonas – FAAR, do governo do Estado do Amazonas), distribuíram cerca de 100 kits de higiene pessoal e limpeza aos abrigados, além de máscaras de pano, alimentos e materiais educativos para serem utilizados em atividades recreativas com crianças. 

Os danos materiais foram significativos. As organizações que atuavam no espaço para registrar, documentar e realizar outros atendimentos aos refugiados e migrantes perderam mobiliário, materiais de escritório e equipamentos de informática.

Também foram perdidos cerca de 250 beliches e mais de 500 colchões e roupas de cama que estavam nas nos 47 módulos residenciais no ATM – assim como os 348 kits emergenciais não alimentares (kits de higiene para família e kits de higiene para mulheres), além de mochilas e outros materiais que são doados às pessoas que embarcam nos voos da estratégia de interiorização. O prejuízo se estendeu à Sala de Informação Digital (SID) e ao auditório de eventos do PITRIG, onde havia equipamentos de áudio e vídeo.  

Por intermédio da Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS) e da FAAR, as pessoas que se encontravam no ATM foram realojadas na Vila Olímpica. Com apoio do governo do Amazonas, o local seguirá abrigando os venezuelanos nos próximos dois meses.

Todos foram acolhidos, alimentados, tiveram a documentação conferida e foram atendidos por equipes médicas de organizações da plataforma, sendo encaminhados para hospitais quando necessário. A medicação aos beneficiários foi fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) da cidade de Manaus.

Segundo a Operação Acolhida, a Força Tarefa Logística Humanitária trabalha intensamente para que os atendimentos sejam retomados de forma centralizada o mais breve possível. Por enquanto, os atendimentos continuarão ocorrendo nos postos de atendimento de cada um dos órgãos competentes e agências parceiras e o processo de interiorização continuará.

“Nos solidarizamos com as pessoas afetadas, venezuelanos e brasileiros, e seguimos em contato comas autoridades locais para fornecer assistência e proteção à população impactada. A Plataforma R4V existe para fortalecer a resposta humanitária dos países que acolhem refugiados e migrantes da Venezuela e seguirá atuando neste sentido”, disseram em declaração conjunta o representante do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) no Brasil, Jose Egas, e o chefe de missão da OIM (Organização Internacional para as Migrações) no país, Stephane Rostiaux. As duas organizações co-lideram os trabalhos da Plataforma R4V.

As organizações que compõem a Plataforma R4V estão levantando fundos para continuar prestando apoio imediato às necessidades identificadas, como também à reconstrução do espaço destinado a abrigar e atender pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela em Manaus.  A Plataforma R4V se coloca à disposição para apoiar as autoridades na retomada dos trabalhos.

Fotos: ©ACNUR / Felipe Irnaldo

Deixe um Comentário