Voluntários e vizinhos da Vila Alberto Hurtado, em Belo Horizonte, organizam confraternização de natal para crianças e famílias refugiadas indígenas da etnia warao

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A Vila Alberto Hurtado, centro de acolhida e formação para migrantes e refugiados, que nesse momento acolhe com 21 famílias refugiadas indígenas da etnia Warao, com apoio de voluntários e vizinhos e o SJMR, organizaram a confraternização de Natal para crianças e demais familiares.

As características singulares da cultura e do deslocamento da população Warao, assim como as necessidades específicas de proteção em contextos urbanos, requerem um trabalho intersetorial amparado por informações e alinhamento conceitual prévios que consolidem a atuação dos diversos atores a serem envolvidos em estratégias coordenadas de mitigação de riscos e integração local. Desse modo, momentos celebrativos são importantes para a comunidade. A atividade foi pensando com as famílias.

O contexto da chegada de indígenas venezuelanos da etnia Warao em Belo Horizonte tem suscitado articulações das OSC’s, setores da gestão pública municipal e estadual, judiciário e organizações internacionais, como o ACNUR e a OIM, para garantir uma atenção qualificada e culturalmente sensível. Porém, desafios como a dificuldade de comunicação linguística, diferenças culturais e os processos de transculturação, especificidades jurídicas e documentais e da escassez de recursos das famílias somam-se às demandas diversas por acesso a segurança alimentar, abrigamento emergencial e moradia e a atenção em saúde, dentre outras.

A acolhida na Vila Alberto Hurtado é um marco porque se efetiva na possiblidade de pensar a integração culturalmente sensível como um direito. A celebração de ontem foi marcada por memórias e recordações de como se vivia esse tempo forte nas comunidades de origem na Venezuela. Por isso, o SJMR ao celebrar o Natal com as famílias, cria espaços que garantam o direito à celebração de datas importantes para a comunidade, ou mesmo do calendário geral comemorativo. Visando acolher, acompanhar e promover a integração de famílias migrantes e refugiadas indígenas da etnia Warao e mitigar os obstáculos enfrentados para moradia adequada ao tamanho dos grupos/ núcleos familiares, com apoio para uma reterritorialização culturalmente sensível para o espaço urbano e com novos vínculos locais comunitários estão nas ações para janeiro com as famílias.

Promover com ações culturalmente sensíveis atividades para hábitos, como cuidado com ambiente, orientação em saúde, acesso a escolarização, aprendizagens sobre outras possiblidades para alimentação, organização comunitária para participação em espaços de incidência para promoção de direitos. Além de acompanhar a integração e autonomia das famílias no longo prazo, considerando cenário após essa assistência e proteção institucional, e articular com a rede intergovernamental para a inserção desta população em programas e políticas municipais. Bons sinais de boas práticas já começam serem vistas com o grupo e, por isso, essa data natalina reflete um esforço comprometido de não deixar ninguém para trás, e que todas as pessoas importam.

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