Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado 2020 traz o drama das pessoas deslocadas dentro da própria nação

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A Igreja Católica celebra o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (DMMR), no próximo domingo, 27 de setembro. Neste ano, Papa Francisco traz o tema “Forçados (as), como Jesus Cristo, a fugir” e nos convida a conhecer mais profundamente a realidade das pessoas que se encontram em deslocamento interno.

Para marcar as reflexões do 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (DMMR), que será celebrado no próximo domingo, 27 de setembro, o Papa Francisco escolheu o tema “Forçados (as), como Jesus Cristo, a fugir. Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos” e nos chama à atenção para o drama – muitas vezes invisível – de milhares de pessoas em deslocamento dentro da própria nação.  

Em todo o mundo, são 33,4 milhões de novos deslocados internos, de acordo com dados de 2019 publicados pelo Internal Displacement Monitoring Centre (IDMC, 2020). Deste, 8,5 milhões foram forçados a deixar a sua casa devido a conflitos de vária ordem, enquanto 24,9 milhões o tiveram de fazer por causa de desastres.

Neste ano, à luz dos acontecimentos dramáticos que têm marcado 2020, Francisco nos convida a refletir sobre as experiências de precariedade, abandono, marginalização e rejeição sofridas por migrantes e refugiados, por causa da pandemia do Covid-19. O Papa também ressalta a importância do cuidado pastoral com as pessoas deslocadas internamente, em virtude das alterações climáticas, violências e conflitos de diversas causas. “Esta crise, devido à sua veemência, gravidade e extensão geográfica, redimensionou tantas outras emergências humanitárias que afligem milhões de pessoas, relegando para um plano secundário, nas Agendas políticas nacionais, iniciativas e ajudas internacionais, essenciais e urgentes para salvar vidas. Mas, este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas”. (FRANCISCO, Mensagem Urbi et Orbi, 12/IV/2020)

“Forçados, como Jesus Cristo, a fugir”

A Igreja tem celebrado o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, desde 1914. A ocasião é sempre uma oportunidade para trazer a reflexão e a sensibilização sobre o drama vivenciado por homens e mulheres migrantes e refugiados que se encontram em deslocamento pelo mundo. Para 2020, Papa Francisco traz como ponto de partida o ícone da fuga da Sagrada Família para o Egito. “O menino Jesus experimenta, juntamente com seus pais, a dramática condição de deslocado e refugiado ‘marcada por medo, incerteza e dificuldades (cf. Mt 2, 13-15.19-23). Infelizmente, nos nossos dias, há milhões de famílias que se podem reconhecer nesta triste realidade. Nos seus rostos, somos chamados a reconhecer o rosto de Cristo faminto, sedento, nu, doente, forasteiro e encarcerado que nos interpela”, ressalta.

Papa Francisco, neste ano traz o tema “Forçados, como Jesus Cristo, a fugir” e lema “Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos”. Também nos convida a ver no rosto de cada deslocado do nosso tempo não apenas o rosto de Cristo, mas em nossa própria face.

Num chamado a responder esse desafio pastoral, em 2018, Papa Francisco indicou quatro verbos para aprofundarmos a reflexão sobre as pessoas migrantes e refugiadas – acolher, proteger, promover e integrar. Com os verbos bem assumidos pela pastoral das migrações em todo o mundo, neste ano, o pontífice acrescenta seis pares de verbos que traduzem ações muito concretas: conhecer para compreender, aproximar-se para servir, escutar para reconciliar-se, partilhar para crescer, coenvolver para promover e colaborar para construir.

SJMR Brasil: compromisso missionário e resposta humanitária à mobilidade humana

Organizado em 56 países e especializado em migração, deslocamento forçado e refúgio, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados Brasil (SJMR) tem beneficiado milhares de pessoas com a prestação de serviços gratuitos, intervenções emergenciais, proteção, projetos de educação, integração, apoio psicossocial e pastoral. A instituição atua em favor de um maior acolhimento e hospitalidade da sociedade brasileira aos migrantes e refugiados, promovendo e protegendo sua dignidade e direitos e acompanhando seu processo de inclusão e autonomia.

Diretor Nacional do SJMR Brasil, Pe. Agnaldo Júnior ressalta que o SJMR tem reunido esforços para garantir uma acolhida humanizada, além de proteção e integração dessas pessoas no país. “Acolhemos esse compromisso e seguimos com a missão de acompanhar, servir e defender a vida ameaçada. Portanto, somamos forças a uma grande rede de instituições, que tem promovido uma resposta humanitária diante do drama da mobilidade humana. Trata-se de pessoas! Estamos com elas e o SJMR tem sido essa presença amiga e acolhedora junto as pessoas migrantes forçados e refugiados no Brasil”, finaliza.

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