59 migrantes venezuelanos chegam a Santa Catarina para um recomeço a partir de oportunidades de emprego

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Um grupo com 59 migrantes venezuelanos irá desembarcar em Santa Catarina neste mês, para iniciar uma nova fase a partir de oportunidades de emprego no Sul do país. Eles estavam abrigados em centros de acolhimento em Boa Vista (RR). Trinta e um deles foram contratados para trabalhar numa indústria de alimentos na região de Seara (SC), no Oeste catarinense, e um venezuelano segue viagem para Frederico Westphalen (RS), onde irá trabalhar numa empresa de peças mecânicas. As outras 27 pessoas são acompanhantes familiares. A viagem da capital roraimense para Chapecó (SC) será realizada com o apoio da Organização Internacional de Migração (OIM).

As oportunidades de empregos surgiram a partir de uma parceria entre as empresas contratantes – que abriram os processos seletivos em Boa Vista (RR) . O SJMR Brasil e a AVSI acompanharam as entrevistas dos venezuelanos e viabilizaram a interiorização do grupo para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para o diretor nacional do SJMR Brasil, Pe. Agnaldo Júnior, “as ações realizadas em parceria são capazes de produzir um resultado muito melhor e garantir um impacto transformado de maior duração. Por isso apostamos nesse trabalho conjunto com a AVSI. Esperamos que os migrantes e refugiados aproveitem bem essa oportunidade e possam viver em melhores condições, juntamente com suas famílias”, ressaltou.


Avaliação positiva: Em fevereiro a AVSI Brasil e o SJMR interiorizaram 87 venezuelanos para a região, sendo que 67 como contratados. Todos já deixaram as acomodações temporárias e residem em Seara ou localidades vizinhas com recursos próprios (Foto: Divulgação)

Segundo a gerente do Acolhidos por meio do trabalho – AVSI,Thais Braga, uma parte do grupo irá residir na cidade de Seara (SC), um grupo menor, na cidade de Itá (SC), a aproximadamente 21 quilômetros. Além deles, uma família segue para a cidade de Frederico Westphalen (RS). “Sabemos que essa transição merece toda atenção, já que essas pessoas estão saindo de Boa Vista e não contam com recursos para arcar com aluguel ou outras despesas neste momento. Por isso, garantimos um acompanhamento de três meses, para que eles consigam economizar seus proventos e, a partir do quarto mês, consigam sua autonomia definitiva”, explica. O projeto também prevê o acompanhamento de uma assistente social que fará o acompanhamento junto aos grupos por três meses, visando apoiar com a integração local e com a empresa.

Todos os novos contratados começam as atividades em outubro. Eles já concluíram as etapas do processo seletivo e estão com as documentações e vacinas em dia. Eles também já passaram por exames da Covid-19 e devem cumprir um período de quarentena antes das atividades laborais. As empresas contratantes preveem políticas e procedimentos de segurança e proteção da saúde dos colaboradores, por isso vem adotando todas as medidas preventivas em suas operações, como limpeza, controle de higienização, aferição de temperatura diária e protocolos de distanciamento.

Este é o segundo grupo interiorizado por meio da parceria entre o SJMR e
AVSI. Em fevereiro, 87 venezuelanos foram realocado na região e contaram com o acompanhamento durante três meses. Depois disso, todos já deixaram as acomodações temporárias e residem na região com recursos próprios. “Nossa avaliação do primeiro grupo é altamente positiva. Os venezuelanos se adaptaram bem à cidade e elogiam muito o acolhimento que receberam, tanto na empresa onde trabalham, como em suas comunidades”, observa Thais.

A chegada

Os migrantes irão desembarcar no aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, em voos e dias alternados. 47 chegam na nesta quarta-feira (7), em voos previstos no período da manhã e da tarde. Ao desembarcarem, todos serão conduzidos para as residências temporárias, em Seara e Itá, com transporte fornecido pela empresa. Já outro grupo, com nove pessoas, tem chegada prevista para o final do mês. Uma família com três integrantes chega no dia 9 de outubro e segue viagem para Frederico Westphalen (RS). A locomoção também está prevista pela empresa contratante.

Crise na Venezuela


Atualmente cerca de 4 mil venezuelanos continuam abrigados em Boa Vista. Na foto, o abrigo Rondon 2, gerenciado pela AVSI Brasil – Foto/Divulgação

A Venezuela enfrenta uma intensa situação política, econômica e social, que foi reconhecida pela comunidade internacional como uma crise humanitária. Como resultado dessa crise, desde 2018 milhares de venezuelanos fugiram pela fronteira brasileira em busca de abrigo, gerando pressões sociais e econômicas no estado de Roraima, especialmente nas cidades de Boa Vista e Pacaraima. Segundo dados da Operação Acolhida, mais de 800 mil atendimentos foram realizados na fronteira entre Brasil e Venezuela desde o início da crise. Desse número, 264 mil refugiados e migrantes venezuelanos solicitaram regularização migratória no Brasil. O Comitê Nacional para Refugiados (Conare) já reconheceu 46 mil venezuelanos como refugiados no Brasil – a maior população com este perfil na América Latina, segundo o ACNUR.

(Com AVSI Brasil)

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