Artigo especial: “O mundo muda quando duas pessoas se olham e se reconhecem” (Octavio Paz)

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*Por Ludimili Lira, coordenadora do SJMR em Manaus

Este é um dos trechos do poema de amor do mexicano Octavio Paz e que vem sendo citado no desenvolvimento de atividades voltadas para a construção da cultura da paz, hospitalidade e reconciliação que estamos realizando pelo SJMR em Manaus. O poema em si fala de amor, mas um dos pontos de destaque do texto é o que ele traz em suas linhas: o tempo, o ser e a capacidade de transformação do mundo através do ato de olhar, entretanto há muitas lutas no decorrer deste ato.

Assim, também é a busca por construir um caminho de paz em meio a tantos conflitos e guerras perpassando gerações. Nesta caminhada se encontram diversos fatores como os reflexos da economia, a busca pelo poder, a migração forçada, a poluição, a fome, a pobreza, a pandemia mundial, a corrupção,  fenômenos que afetam o mundo e conflitos levam os países a terem ação e reação, principalmente, pelas leis dos homens em conjunto com a força das armas. O ato de atravessar uma fronteira é também uma busca pelo encontro da paz.

Os continentes buscam construir esse caminho de paz, reconciliação e hospitalidade, mas para isso é necessário entender o que cada um desses pontos tem como objetivo e que o olhar para o outro faz com que o mundo se transforme. A reflexão sobre qual rumo é necessário tomar para construir um caminho para uma cultura de paz, hospitalidade e reconciliação é fundamental, mas é necessário também ser formado sobre o assunto e compreender que é um passo a ser dado de cada vez.

A hospitalidade nada mais é do que o ato de acolher com amabilidade o outro, sendo também a base da relação humana. Ela geralmente está presente em várias áreas do nosso cotidiano seja na área profissional ou pessoal, é a forma como acolhemos o outro.

Numa linguagem mais jurídica, a conciliação é uma das formas de resolução de conflitos mais rápida, eficaz e pacífica, buscando diminuir os riscos de injustiça entre os pares, assim, a chance de ambos os lados serem beneficiados tende a ser muito maior. A conciliação está presente também em muitas tratativas entre países, principalmente em busca da paz e do acolhimento. O ponto crucial da conciliação é que ambos os lados precisam estar de acordo e ter sensibilidade de acolher as propostas, pois sem isso nenhum avança.

A construção da paz são ideias que surgem como forma de intervenção para que se evite novos conflitos, tendo o objetivo de atuar diretamente na causa deles e estabilizar os países diante de todos os fatores que causam conflitos. Esses três elementos também precisam andar interligados para que assim sejam fortalecidos.

A partir dessa ligação, é possível a busca por criar mecanismos que possam apoiar condições para uma paz sustentável, visando trabalhar a causa dos conflitos e reduzir fatores violentos, contribuindo com uma sociedade mais pacífica, justa e igualitária. Pensar nisso e nessas formas de trabalhar um caminho de paz parece utópico diante de tantos conflitos e guerras, mas para se tornar palpável é necessário pensar a paz não somente no coletivo, mas individualmente, num processo do interno para o externo, pois esse é o caminho que gera frutos para a coletividade, sem desrespeitar as ações e normas.

 A mobilidade humana nos faz repensar cada passo, pois cada pessoa envolvida nesse fluxo carrega uma história, uma estratégia ou uma motivação diferente e mesmo que diversos atores estejam empenhados em trabalhar a hospitalidade e paz por se tratar de elementos essenciais da sociedade; o outro lado ainda fomenta  xenofobia e hostilidade. É então que surgem os questionamentos sobre quais são os desafios para construir este caminho da paz. Este é um caminho a ser conhecido e criar condições para que isso se alcance, mas é necessário olhar para o outro e se reconhecer nele, não como um nome ou uma nacionalidade, mas como ser humano que pode transformar o mundo com suas ações. “O mundo muda quando duas pessoas se olham e se reconhecem”.

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